Sophia de Mello Breyner Andresen (1969), de João César Monteiro

A (im)possível perseguição cinematográfica da poesia

Palavras-chave: poesia, cinema, artes

Resumo

O artigo aborda o filme Sophia de Mello Breyner Andresen (1969), de João César Monteiro, lendo-o como um ensaio cinematográfico sobre a essência da poesia e do próprio cinema que toma como matéria de trabalho a escrita da autora que dá título à obra. Propõe-se um percurso analítico pela estrutura e pelo conteúdo imagético do filme que o revela como um registo documental em que, apesar do esforço para a captação da pessoa de Sophia mediante a desconstrução da persona composta a partir da sua criação literária, foi impossível contornar a força da palavra escrita e das obsessões temáticas, intertextuais e até formais que singularizam o universo literário erigido pela autora até ao final dos anos 60. Mediante a identificação, no filme, de um arranjo estrutural de matriz essencialmente literária, o artigo examina o seu objeto enquanto veículo de captação fílmica da poesia – uma veleidade a que o seu realizador explicitamente se furtou num texto posterior – e explora os recursos – também eles de cunho marcadamente literário – que ativamente fazem desta obra um mecanismo cinematográfico de interrogação sobre o milagre poético que a escrita de Sophia configura, reconhecidamente, perante a crítica e o público.

Biografia Autor

Rui Afonso Mateus, Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras / Centro de Literatura Portuguesa, 3004-530

Rui Manuel Afonso Mateus (Lisboa, 1971) é professor de Português do Ensino Básico e Secundário e também Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutorou-se em Literatura de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com uma tese sobre as adaptações de clássicos da literatura para jovens. É também membro do Centro de Literatura Portuguesa sediado na mesma Universidade. É autor de A recepção de Camões no barroco português. O caso de Estêvão Rodrigues de Castro (IN-CM, 2011) e Literatura e ensino do Português, escrito em parceria com José Cardoso Bernardes (FFMS, 2013). Integrou a equipa de investigadores responsáveis pela organização documental da exposição “Carlos de Oliveira. A parte submersa do iceberg” (Museu do Neorrealismo, 2017), com curadoria de Osvaldo Silvestre.

Publicado
2020-07-14