O Testemunho, o Instante e a Memória. Espaços de corte e de interrupção em Video Letter (1982), de Shuji Terayama e Shuntaro Tanikawa
DOI:
https://doi.org/10.14591/aniki.v1n2.17Palabras clave:
memória, ficção, narrativa, tempo, movimento, escrita, vídeoResumen
Este artigo tem como ponto privilegiado de investigação o vídeo experimental Video Letter (1982), de Shuji Terayama e Shuntaro Tanikawa. O filme é inquirido nos seus procedimentos formais e aproximações temáticas a partir de um estudo comparativo com o ensaio de Jacques Derrida, intitulado Demeure: Fiction and Testimony (2000), construído em torno da obra literária L’instant de ma mort (1994), de Maurice Blanchot. A aproximação entre estas duas obras permite-nos, apesar das suas diferenças, - no primeiro caso, uma obra vídeo, no segundo, um texto literário, - explorar problemáticas comuns ligadas aos conceitos de instante, ficção, memória e testemunho, assim como indagar sobre quais são as novas formas de temporalidade que emergem dos procedimentos de fragmentação e interrupção convocados por ambas as composições. Procuramos, a partir daí, demonstrar que os procedimentos ligados ao corte, à fragmentação e à descontinuidade, concorrem para o estabelecimento de uma forma de escrita que faz convergir a singularidade do instante, - habitualmente associado, de modo exclusivo, à consideração da imagem parada da fotografia, - com as novas formas de narração que participam de uma reavaliação da própria estrutura fílmica e, por conseguinte, do estatuto da imagem em movimento. Também estas categorias são abordadas no seu sentido mais amplo e expandido, - nomeadamente, a partir das reconfigurações operadas pelo formato vídeo, - induzindo a uma consideração dos cruzamentos estabelecidos entre o filme e áreas de expressão aparentemente díspares e heterogéneas, como é caso da fotografia, da literatura e da poesia.Publicado
2014-05-28
Número
Sección
Ensayos


