A Nova Inglaterra como paisagem para o horror feminino em A Bruxa

  • Laura Loguercio Canepa Universidade Anhembi Morumbi, Centro de Pesquisa em Comunicação Audiovisual, São Paulo, 04705-000
  • Rodrigo Carreiro Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Artes e Comunicação (CAC)/Departamento de Comunicação Social, Recife - PE, 50740-550
Palavras-chave: Cinema, Horror Feminino, Gótico Americano, Nova Inglaterra, A Bruxa

Resumo

Este artigo tem o objetivo de realizar uma análise do filme A Bruxa (Robert Eggers, EUA, 2015), a fim de demonstrar como o tema da busca de autonomia feminina em uma sociedade cristã fundamentalista, no espaço ao mesmo tempo selvagem e inóspito da Nova Inglaterra, constrói, conduz e modula as convenções do horror dentro dessa narrativa. Para tal, examinaremos, primeiramente, de que maneira o contexto histórico e religioso dos EUA do século XVII produzia famílias incapazes de lidar com a ideia de autonomia feminina, vista como não natural – e, portanto, potencialmente sobrenatural. Também discutiremos brevemente como o processo histórico estadunidense dos séculos XVII e XVIII originou uma longa tradição de narrativas de horror passadas na região da Nova Inglaterra, às quais o filme A Bruxa também está relacionado.

Biografias Autor

Laura Loguercio Canepa, Universidade Anhembi Morumbi, Centro de Pesquisa em Comunicação Audiovisual, São Paulo, 04705-000

Laura Loguercio Cánepa é Doutora em Multimeios pelo IAR-Unicamp (2008) e Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP (2002). Concluiu, em 2014, Pós-Doutorado no Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da ECA-USP. Atualmente, é Coordenadora e Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. É líder do Grupo de Pesquisa "Cinema expandido, da estereoscopia ao web footage: novos regimes de visualidade no século XXI". No primeiro semestre de 2019, realizou estágio pós-doutoral (modalidade Visiting Research Fellow) na School of Languages, Cultures and Societies da Universidade de Leeds.

Rodrigo Carreiro, Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Artes e Comunicação (CAC)/Departamento de Comunicação Social, Recife - PE, 50740-550

Rodrigo Carreiro é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Pernambuco, onde cursou Mestrado (2003) e Doutorado (2011)
em Comunicação (Cinema). Fez estágio pós-doutoral na Universidade Federal Fluminense (RJ). Pesquisa atualmente sobre sound design e gêneros fílmicos, especialmente horror. É autor dos livros "Era uma
vez no spaghetti western: o estilo de Sergio Leone" (Editora Estronho, 2014), "A pós-produção de som no audiovisual brasileiro" (Marca de Fantasia, 2019), e autor-organizador de "O som do filme: uma
introdução" (EdUFPR/EdUFPE, 2018), primeiro livro-texto em língua portuguesa destinado ao ensino da produção sonora em meios audiovisuais.

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Publicado
2020-01-22