O cinema existe e resiste. Longa duração, análise fílmica e espectatorialidade nos filmes de Lav Diaz

  • Lúcia Ramos Monteiro Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, São Paulo, 05508-020
Palavras-chave: Longa duração, Lav Diaz, Análise fílmica, Estética, Estudos culturais

Resumo

A longa duração – de planos e filmes –, ao lado de uma sensação difusa de lentidão, vem sendo apontada pela crítica e pela academia como tendência do cinema independente contemporâneo, relacionada ao uso dos suportes digitais de gravação e exibição. Tal característica pode de modo geral ser encontrada em toda a obra do cineasta filipino Lav Diaz. Neste artigo, a questão será pensada sobretudo no estudo de dois de seus filmes, Florentina Hubaldo, CTE (2012) e A Lullaby to the Sorrowful Mystery (2016), em primeiro lugar como dificuldade para a análise fílmica, exacerbando o paradoxo descrito por Raymond Bellour em “Le texte introuvable” (1979), e em seguida em meio às interrogações sobre a atualidade da sala de cinema. Para além da discussão à realidade e ao realismo do cinema a partir da ontologia proposta por Bazin (1993), aqui a questão do plano longo será abordada sobretudo do ponto de vista da postura espectatorial, tanto com relação a sua atenção – como os filmes de Diaz direcionam (ou abstêm-se de direcionar) a atenção do espectador? – quanto da experiência comunitária das salas de cinema.

Biografia Autor

Lúcia Ramos Monteiro, Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, São Paulo, 05508-020
Lúcia Ramos Monteiro é pesquisadora em pós-doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com financiamento da Fapesp. É doutora em cinema pela Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3 e pela Universidade de São Paulo, autora de uma tese sobre “A iminência da catástrofe no cinema”.
Publicado
2017-05-20
Secção
Dossier Temático