Não é fácil virar a página: O espaço liminar como agente de transformação em Aniquilação de Alex Garland
DOI:
https://doi.org/10.14591/aniki.v13n1.1171Palavras-chave:
Cinema, filosofia, terror, espaço, montagemResumo
Este artigo observa como o ambiente pode ser usado como ferramenta poético-discursiva capaz de discutir o tema da transformação enquanto experiência de morte. Para isso, analisa o filme Aniquilação (2018) de Alex Garland a partir de um comentário sobre os usos que o autor dá ao espaço abandonado para criar o que Sarah Al Shrbaji designa de espaço liminar (2020), o que torna essas zonas fora da normalidade em agentes transformadores dos indivíduos que entram neles. Isso é feito a partir das lentes usada no filme, da ficção científica e do horror corpóreo, usando o estranhamento em relação ao ambiente e a si mesmo para fazer paralelos entre arruinamento e degeneração. Essas relações servem no filme como tensões entre o eu e o outro, internalidade e externalidade e finalmente alteridade e transformação. Para consolidar essa hipótese faz-se também paralelos outras obras que compartilham temas e influenciaram na produção deste filme, além das perspectivas propostas em Morte e Alteridade (2020) de Byung-Chul Han, assim como os usos de espaço enquanto poética de Gaston Bachelard (1993)
Referências
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Filmografia
Aniquilação (longa metragem, digital). Dir. Alex Garland. Produção: Andrew Macdonald; Allon Reich. Estados Unidos; Reino Unido, 2018.
Men – Faces do Medo (longa metragem, digital). Dir. Alex Garland.Produção: Andrew Macdonald; Allon Reich. Reino Unido: DNA Films, 2022.
Possessão (longa metragem, digital). Dir. Andrzej Żuławski. Produção: Marie-Laure Reyre. França e Alemanha Ocidental: Gaumont, 1981.
Stalker (longa metragem, digital). Dir. Andrei Tarkovsky. Produção: Aleksandra Demidova. União Soviética: Goskino, 1979.


