O close-up e o sujeito reinventado: À procura do personagem de cinema

  • João Vitor Leal Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, 05508-020, São Paulo.

Resumo

Este artigo pretende investigar o primeiro cinema em busca de marcas da “invenção” do personagem cinematográfico e, de modo correlato, da “invenção” do ator de cinema. Analisaremos diversas estratégias de enunciação e de figuração que revestem o corpo filmado de sua carga narrativa, tornando significativas suas aparições no decorrer do filme. Dentre essas estratégias, ressaltaremos o plano aproximado do rosto do ator – de  Chapeaux à transformations (Lumière, 1895) a Fantômas (Feuillade, 1913), o close-up se mostra a principal ferramenta que permite ao espectador antecipar e projetar na figura humana uma identidade individual dotada de certa consistência psicológica e apta a desempenhar as funções narrativas que passam a ser exigidas pelos filmes. Veremos todavia que, apesar de sua essencial contribuição para o processo de “integração narrativa”, o close-up também preserva o rosto como uma “atração” à parte. Tal força atracional, já presente em obras de Méliès (Le roi du maquillage, 1904) e A. E. Weed (Photographing a female crook e Subject for the rogue’s gallery, 1904), chega renovada ao momento contemporâneo através de filmes que, investindo em metamorfoses e multiplicações dos personagens, complicam a relação entre corpo e identidade. Assim, o retorno ao close-up no primeiro cinema se revela crucial para a compreensão das origens e complexidades do personagem cinematográfico para além das órbitas da literatura e do teatro.

Biografia Autor

João Vitor Leal, Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, 05508-020, São Paulo.

Doutorando (bolsa FAPESP no2015/06711­1) em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo (ECA­USP), com período sanduíche na Université de Montréal. Professor assistente do curso de Produção Audiovisual da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom).

Publicado
2019-08-20