Aproximações - Cinema «e» Cristianismo. Fé e Movimento do Cinema. De João Mário Grilo a Pier Paolo Pasolini
Résumé
Este estudo interroga a modalidade da relação existente entre cinema (gr. kī́nēma, “movimento”) e cristianismo. Num itinerário que se pretende de âmbito filosófico, o argumento compreende, em traços gerais, dois momentos, duas compreensões distintas da relação entre as esferas nomeadas: 1) a análise do filme Os Olhos da Ásia (1996), de João Mário Grilo. Acompanhamos, nesse particular, a estrutura de um movimento reduzido a um exercício medialógico de reprodução da herança metafísica que o cristianismo recepta e agrava, sujeitando o existente a um corpo de narrativa e de mensagem que se concretiza na un-identidade de um Deus único, i.e., numa suspensão do movimento; 2) a análise do filme Il Vangelo Secondo Matteo (1964), de Pier Paolo Pasolini. Defendemos, a esse título, que o filme se constrói a partir de uma incompatibilidade de princípio entre movimento e pontualidade. O que é dizer a partir da exigência rigorosamente a-teológica de que o cinema, segundo Pasolini, é portador. Porém, mais do que a indicação de uma ausência pura e simples, a ausência ou a morte do Deus do cristianismo, o filme figura e/ou rememora um ausentar-se, ou bem um esvaziar-se de substância na e como figura humana, repensando sempre de novo e diferentemente o esvaziamento (gr. kénōsis) que Paulo de Tarso anuncia na Epístola aos Filipenses (2, 6-11). Cinema e cristianismo, ser e movimento entretecem, aqui, uma única e mesma questão, a questão de uma fidelidade da figura ao rasgão imprevisível de um apelo, do que vem e de quem vem de algures, sem precedente ou exemplo, radicalmente novo, de cada vez.

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